E o que podemos dizer dessa viagem?
Bem, o tal assento "comfort" que pagamos para a United realmente valeu à pena. Este investimento mais aquele já tão conhecido suporte de pescoço (que sempre me neguei a comprar mas agora não resisti) realmente fizeram diferença. Descansei, dormi... Cheguei zerada à Houston (fiz conexão lá pra Miami). Ainda bem, porque eu não sabia o quanto iria precisar dessa energia...
Em Houston, um esperado problema já começou a dar o ar da graça: a convivência com americanos. Olha, eu detesto generalização. Mas na Terra do Tio Sam é difícil não fazê-la. Primeira questão: Starbucks. Chego no café e me deparo com uma fila gigante. Olho pra um lado, pro outro... E diante do fato de não achar nenhuma sinalização, me dirijo à moça do caixa e pergunto: há alguma fila preferencial pra grávida? A resposta veio da segunda atendente, já que a primeira sequer olhou na minha cara: "não tem nada disso aqui, não. Agora, se vc quiser perguntar pra cada um da fila se eles deixam vc passar, fique à vontade". Indignada com a resposta me lembrei de um outro ponto importante, eu nem gosto de Starbucks. Pra evitar dar um soco na cara dela, fui ao café ao lado.
Mas, na hora do embarque, a United me trouxe a resposta esclarecedora. Diante da mesma pergunta sobre fila preferencial, ouço do rapaz que parecia brasileiro: "aqui nos EUA não tem preferencial pra gestante. Isso é coisa do Brasil". Querido, não sou tão mal informada assim, vai. Definitivamente isso não é uma "moda brasileira". O desejo daquele soco na cara veio novamente, agora em carga dupla. Porém, como nos States qualquer estrangeiro que tenta levantar o tom de voz, independente do motivo, é preso como terrorista, achei que a resignação seria mesmo a melhor alternativa pra uma grávida que viajava sozinha. Eles me colocaram no último grupo de embarque. E tinha que esperar na fila. Em pé. Depois de 20 minutos, entrei no avião.
O avião decola... Sabiamente, levei minha aguinha e meu lanche. Mas, uma nova cena acontece na hora do serviço. Eu, na poltrona do corredor. O carrinho, parado ao meu lado. A aeromoça prepara um Blood Mary pra outra passageira, porém um ingrediente está faltando. Uma segunda aeromoça parte para o final do avião para buscar o tal item, deixando a "minha" aeromoça sozinha, parada, aguardando... Nesse momento, eu peço "vc poderia por favor me dar apenas um copo com gelo?" Claro que uma pergunta agressiva como essa, no momento em que ela não está fazendo absolutamente nada, não poderia receber uma resposta diferente de "estou atendendo às outras pessoas. Quando acabar, vejo o que vc quer". A coisa foi tão ridícula que uma senhora que estava sentada ao meu lado puxou conversa comigo. O motivo? Ela ficou constrangida com a atitude da aeromoça. Disse que viu o que fizeram comigo desde o embarque, perguntou com quantos meses de gravidez eu estava, e falou que, sendo americana, estava com muita, muita vergonha. Que sofria ao ver o quão arrogante e prepotente havia se tornado seu povo. E pediu perdão. Várias vezes. Ficamos conversando todo o restante do vôo. Ela no alto dos seus 70-80 anos (acredito eu), uma professora ainda em atividade, engajada com causas humanitárias, atualmente dividindo seu tempo entre Tailândia e Colômbia ensinando crianças carentes me mostrou que há esperança pro mundo. Até pra este país que inventou os Direitos Humanos mas não sabe olhar além do próprio umbigo. Foi um resto de vôo incrível. Inclusive, ela me deu a dica de pegar o trem entre o aeroporto de Fort Lauderdale (onde eu desceria) para o aeroporto de Miami. Mais perto do meu hotel e que me garantiria uma grande economia no taxi. A parte boa? Ela iria pegar o shuttle comigo do aeroporto à estação de trem pois também usaria este transporte pra sua casa.
No shuttle, um novo episódio dos que vc quer esquecer, e muitas vezes não consegue. O pequeno ônibus não tem porta-malas. Vc entra com mala e tudo e busca uma maneira de fazer caber tudo e todos. Pois bem, eu? Grávida. Ela? Idosa e com problema no braço. Pra mim, obviamente ninguém levantou um dedo, como já esperado. Ainda bem que as malas estavam vazias. Então não chegou a ser um problema. Porém, ela estava com várias malas. E pesadas. Fui até a motorista e perguntei: "será que haveria alguém que pudesse ajudá-la com as malas? Estão pesadas e ela não consegue". A reposta, confesso, me deixou chocada até agora. Sem qualquer cerimônia, ela simplesmente falou "se ela pretendia pegar o shuttle, deveria saber que precisaria dar conta de suas próprias malas". Aiiii... Que dor. Só de contar isso aqui, me dói novamente. Bati um papo com Deus e com Alice pedindo "segurem ai porque eu vou ter que ajudar". Me pus a carregar as malas dela. Até que um rapaz (finalmente) sentiu sua masculinidade desafiada e nos ajudou. Triste, muito triste...
O resto do trajeto, com todas as possíveis baldeações, foi neste esquema. Eu já sabendo que não poderia contar com a ajuda de ninguém então segui cuidando de mim e da Alice, me fazendo de invisível. Quanto mais desapercebido vc se fizer neste país melhor é. E assim, algumas horas depois, cheguei ao hotel. Onde, finalmente, fui bem recebida e acolhida. Nada como pagar por atenção, né? Ao custo de vários dólares, ela vem.
Miami é uma cidade bacana. Bonita, animada, com coisas bem positivas. Uma delas é o Metromover. Um tipo de metro suspenso que circula por toda a região central. Tudo novinho, sinalizado, funcionando bem... E, melhor parte, de graça. Olha que maravilha! Logo no primeiro dia fui ao Bayside Mall. Precisava comer e esta era a opção mais pertinha. Claro que só de falar o nome, me lembrei da outra vez que estive aqui. Há exatos 17 anos. Eu, minha mãe, Marcelo, Solange, Jamil, Iara e a pequena deles cujo nome me fugiu agora. Deu uma saudade apertada ao chegar lá. Tudo voltou num passe de mágica. Me lembrei até do lugar onde o Marcelo me orientou a ficar pra tirar uma foto. Mas, vamo que vamo... Achei um restaurante cubano, bem na orla. Comida bem boa e barata. Comi uma versão de arroz e feijão, com mandioca cozida, pedaços de porco bem fritinhos e banana também frita. Bem gostoso. Parecia comida brasileira. Ah se tivéssemos achado isso da outra vez... Minha mãe teria perturbado bem menos por causa dos sanduíches com gergelim. Hahaha. Na volta pra casa, supermercado e compras pro café da manhã. Não vou pagar 18 dólares por dia nem morta. :)
Hoje, o segundo dia, foi o único dia free. Amanhã começa a maratona das compras. Segunda, continuamos com o enxoval e terça já vou embora. Então, era o dia pra aproveitar.
Comecei o passeio indo pra Wynwood. Todos falam muito deste lugar, esta galeria (de grafites, museus, lojas...) ao ar livre. Mas, esqueceram de avisar que é um lugar bem deserto. E perigoso. É bem como um gueto, ou algo do gênero. Descobri isso ao me dar conta que o taxi me deixou no lugar errado. Ao invés de NW 25, me deixou na NE 25. Olhei pra um lado, pro outro... Nem uma alma passava por ali. O que dirá um taxi. Única alternativa, sair de lá. Então andei umas 10 quadras pra chegar ao endereço correto. Tirando a tensão de ser deserto, graças a Deus, não tivemos problema algum. Nenhum susto. Nada. Claro que perturbei Nossa Senhora ao limite. E ela, como sempre, correspondeu, me livrando da enrascada e me guiando ao lugar que eu deveria estar.
Os grafites são realmente INCRÍVEIS. É mesmo de pirar. Mas me frustrou ver tanta coisa fechada (tirando as lojinhas, não vi nenhuma galeria aberta).
Comi no Wynwood Kitchen & Bar. Muuuuito bom e ambiente incrível. Super valeu a pena. Pra sair de lá, só pedindo um taxi pra alguma cooperativa e esperando 20 min. Não passa taxi lá. O que é bem ruim. Mas dessa fez pedi ajuda ao restaurante e fiquei quietinha ali dentro até o carro parar na porta.
Bem, seguindo o passeio fui à Lincoln Road (paraíso de quem gosta e busca fazer compras). Andando pela região cheguei à Española Way, que realmente adorei, andei pelo Art Decor District e fui até a praia de South Beach, saber como é a famosa praia de Miami. Realmente bonita. Mas o mar estava cheio de sargaço e o aluguel da cadeira e guada-sol acabaram por me expulsar de lá: 12 dólares a cadeira e 20, o guarda sol. Socorro!!!! Voltei pra Ocean Drive, a Av Atlântica daqui, e briguei (quase literalmente) por um taxi pra me trazer de volta pro hotel. Isso pra ter que pagar 20 dólares pela corrida. Afff.... Aliás, este é um problema nessa cidade "estilo Barra da Tijuca". Tirando a região central, há um déficit grande de transporte público e o taxi é uma fortuna. Então... Esteja preparado.
Cheguei morta no quarto e, pra dar uma relaxada, fui à piscina do hotel onde pude dar um mergulho e curtir o pôr do sol. Bem legal. Dali que tirei as fotos que anexo aqui, Alice. Pra vc ver como vc já estava curtindo. :)
Depois de um banho, um looooongo papo com o papai, pra ver se a saudade diminui e um jantar no próprio hotel... cama. Amanhã será um longo dia. Comprando um monte de coisas lindas pra vc, pequena.
So, have a good night. Sleep well!! I love you with all my soul. Mommy





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